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Ivry Gitlis - o violino incandescente

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O grande violinista Ivry Gitlis (1922-2020) morreu aos 98 anos, na véspera de Natal, em Paris, onde vivia desde os anos 60. Foi convidado do LEFFEST em 2015, e partilhou vários dias connosco. Participou numa conversa pública com o violinista e realizador Bruno Monsaingeon e o pianista Itamar Golan, no cinema Monumental, e numa soirée dedicada ao poeta Arseni Tarkovski, no TNDMII, com os pianistas Piotr Anderszewski, Itamar Golan e Natsuko Inoué, e ainda a leitura de poemas de Arseni Tarkovski pelo seu neto Andrei A. Tarkovski, Itamar Golan e Luís Caetano.

Nesta soirée (que incluiu a projecção do filme "Arseny Tarkovsky - Eternal Presence",de Viatcheslay Amirkhanian, apresentado por Sharunas Bartas), Gitlis interpretou, com Itamar Golan ao piano, as peças “Sicilliene”, de Theresia von Paradis, e “Schön Romarin”, daquele que foi um dos “violinistas mais amados de sempre”, Fritz Kreisler. Também poderíamos dizer de Gitlis, que foi não só um dos violinistas mais virtuosos do século XX, mas também um dos mais amados. Esteve no LEFEST com vários dos seus amigos, entre eles os já citados, e a pianista Martha Argerich, de quem dizia: “A Martha é pura magia. Tocar com ela, é como tocar com a vida. Sem ela, o piano não existiria.” No ano passado, os seus muitos amigos prestaram-lhe uma homenagem na Cité de la Musique, em Paris, com o espectáculo “Ivry Gitlis & Friends”.

Para além de ter tocado com as melhores orquestras no mundo inteiro, de ter sido um dos grandes intérpretes das obras de Alban Berg, Bartok, Sibelius, Beethoven, Mendelssohn, Tchaïkovski, Bach, Paganini, e Kreisler, entre muitos outros, de ter colaborado com compositores contemporâneos, Gitlis era um "intérprete livre", que também amava o jazz (tocou com Stéphane Grapelli) o rock (tocou com John Lennon, Yoko Ono, Mick Jagger ou Eric Clapton), a música cigana. Grande conversador, carismático, passou também pela televisão, onde falava de música, com um enorme prazer pela partilha, pela importância de “transmitir ao público uma grande herança de beleza”. Foi ainda actor em vários filmes, entre eles "L'histoire d'Adèle H”, de François Truffaut.

Manteve intactas até ao fim uma enorme curiosidade, uma grande generosidade, e a mesma vontade de tocar, que perdurou toda a sua vida (teve o seu primeiro violino aos 5 anos, e desde 1964 um famoso Stradivarius Sancy 1713, que trazia sempre consigo e com o qual tocou quando esteve connosco em Lisboa).
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