Lisbon & Estoril Film Festival

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JOSÉ BARRIAS (1944-2020). ENTRE A QUIETUDE E O DESASSOSSEGO.

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José Barrias integrou, em 2011, o júri do LEFFEST, na altura Lisbon & Estoril Film Festival. Autor de uma prática artística que cruza linguagens (o desenho, a pintura, a fotografia, a instalação, a “assemblage”), Barrias era bem a expressão do cruzamento que foi desde a primeira hora distintivo do festival.

Outro traço consistente do seu trabalho, que se moveu entre duas culturas, a portuguesa e a italiana (nasceu em Lisboa, cidade que o mito pretende fundada por Ulisses, como refere, viveu no Porto, onde estudou na Faculdade de Belas Artes, em Paris, para onde foi em 1967, para fugir à Guerra Colonial, e mudou-se pouco depois para Milão, onde ainda vivia há quase cinquenta anos), entre o clássico e o contemporâneo, era a sua dimensão literária. Por coincidência, no ano em que esteve entre nós, para além do músico Gidon Kramer, o júri do festival era essencialmente constituído por grandes escritores: o Nobel J.M. Coetzee, Paul Auster, Don DeLillo e ainda Siri Hustvedt. E tivemos também connosco Peter Handke e Yasmina Reza.

Três anos depois, quando inaugurou em Lisboa, na Plataforma Revólver, a exposição “Inside Outside”, dizia à revista Arte Capital: “[aquilo que considero fundamental no andamento do meu trabalho] É sobretudo um não-sei-quê que aflora no espaço da obra para dar tempo ao tempo, contra a dolorosa insistência das coisas perdidas e a favor da saudável curiosidade pelas coisas encontradas”.

É essa curiosidade pelas coisas a encontrar que nos move, “In Itinere“. Obrigado, José Barrias.
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