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Pierre Guyotat: A Literatura como Arte Total

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O escritor Pierre Guyotat (1940-2020) é um dos nomes maiores da literatura francesa do século XX, autor de uma obra ímpar e única. Morreu em Paris na madrugada da última sexta-feira. Como escreveu Azzedine Alaïa (Pierre Guyotat, La matière de nos oeuvres), Guyotat “enobreceu a língua francesa: com a sua escrita, ele é capaz de falar das coisas de que não falamos, com uma enorme beleza. A sua escrita é poderosa e subtil. Não é parecida com nenhuma outra. É o francês em todo o seu esplendor: ao mesmo tempo popular e extremamente elaborado.”

Uma escrita incandescente, com ecos de Baudelaire ou de Céline, de um escritor/artista (nos seus anos de juventude, Guyotat hesitou entre ser escritor ou pintor, e, nos últimos anos, dividia o seu trabalho entre a escrita e o desenho), com uma grande paixão pela música, pela pintura, pelo cinema (de Dreyer, Rossellini, Buñuel ou Pasolini, por exemplo), pelo teatro, pela dança, numa obra em constante movimento/circulação, renovando permanentemente a língua francesa, uma obra que parte da “literatura como arte total” e se liga às outras artes.

Em 2018 recebeu o prémio Femina pelo conjunto da sua obra, e, com Idiotie, o último livro que publicou, foi galardoado com o prémio Medicis (prémio que lhe fugira com Éden, Éden, Éden, 1970, fonte de escândalo e que chegou a ser interdito, apesar dos prefácios de  Barthes, Leiris e Sollers, de Foucault e muitos outros escritores terem saído em sua defesa, e depois da impressão que causara o seu livro anterior, Tombeau pour cinq cent mille soldats,1967, “assombrado” pela sua experiência na guerra da Argélia).

Escutemos aqui a entrevista que concedeu, por ocasião da publicação de Idiotie, à rádio France Inter, conduzida pela escritora e jornalista Laure Adler, uma das participantes no simpósio internacional do LEFFEST “Pode a arte ser ainda subversiva?”.
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