Lisbon & Estoril Film Festival

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Wim Wenders em comunhão com o público

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O realizador, argumentista e fotógrafo alemão Wim Wenders, um dos homenageados da edição deste ano do LEFFEST, teve um sábado repleto de actividades. Com uma disponibilidade incansável, Wenders não só esteve nas sessões anunciadas, como ainda surpreendeu os espectadores no final da exibição de Lisbon Story - Viagem a Lisboa.

Às 15h, no Museu da Água - Reservatório da Mãe d’Água das Amoreiras, Wenders esteve presente na abertura da sua exposição “À luz do dia até os sons brilham” - Wim Wenders à Descoberta de Portugal, composta por fotografias tiradas em Portugal aquando da rodagem dos vários filmes que Wenders filmou no país.

Depois de uma volta completa à exposição, Wenders, rodeado por público, amigos e jornalistas, contou como Paulo Branco, director do festival, lhe tinha dito que um dia fariam uma exposição com as suas fotografias. Agradecendo a todas as pessoas que tornaram possível esta exposição, Wenders disse que o Museu da Água de Lisboa era o melhor museu da água do mundo e apelidou-o de Wetropolitan, por ser tão húmido.

Quando chegou ao Cinema Medeia Monumental, Wenders surpreendeu os espectadores, aparecendo no final da sessão de Lisbon Story - Viagem a Lisboa, onde a sua presença não estava prevista. Depois desse, foi exibido o filme O Estado das Coisas, ao qual se seguiu uma conversa entre o realizador e o director do Festival, Paulo Branco, que foi também produtor do filme.

Wenders contou que, depois de ter estado a trabalhar em Hollywood, quando chegou à Europa ouviu dizer que o filme que Raúl Ruiz estava a filmar em Sintra estava com falta de película. Como trazia película extra, Wenders foi levá-la à equipa e ficou de tal forma encantado com a forma descontraída de trabalhar, contrastante com o que deixara em Hollywood, que propôs a Paulo Branco fazer um filme com aquela mesma equipa, dali a duas semanas. Wenders e Paulo Branco tiveram uma animada conversa sobre o processo de produção do filme, com algumas perguntas do público.                

Na sessão de Every Thing Will Be Fine, única em 3D em Portugal, perante uma sala lotada, Wim Wenders pediu aos presentes que se libertassem dos preconceitos em torno do 3D e acompanhassem as suas personagens neste “drama íntimo e subtil” que poderia acontecer a qualquer um de nós.    

Wenders falou da sua primeira experiência com o 3D em Pina e de quanto ficou fascinado com a descoberta de como esta ferramenta conseguia revelar a “presença dos bailarinos” de Bausch, nos retratos que deles fez no final desse filme. Essa “presença”, tão real e simples, foi aquilo que o levou a querer fazer um filme de ficção em 3D, que para ele é uma “janela para chegar à humanidade das personagens”, em claro contraponto com o modo como no cinema actual o 3D é usado, sobretudo para o entretenimento e a fantasia, e menos para chegar à realidade.

“Se, durante a projecção, se esquecerem que estão a ver um filme em 3D, isso é o maior elogio que me poderiam fazer” rematou Wim Wenders, antes de se despedir de uma plateia que o aplaudiu vivamente.

Ao final da noite, no Centro Cultural de Cascais, o realizador alemão assistiu a uma noite de fados em sua homenagem. Catarina Wallestein foi a primeira a subir ao palco, começando com uma interpretação emocionante de Amor de Mel, Amor de Fel, continuou com mais três fados, terminando com Prece. Pedro Moutinho subiu ao palco logo de seguida, cantando também cinco fados, entre eles Lisboa Menina e Moça. Por fim, Ana Moura conquistou o público com uma interpretação de A Fadista, seguindo-se uma actuação cheia de força que terminou com Por que Teimas Nesta Dor. A acompanhá-los estiveram os músicos Pedro Soares (guitarra acústica) e Ângelo Freire (guitarra portuguesa).

Ao longo da sessão, todos os fadistas salientaram a honra que sentiam por estar a cantar para Wim Wenders, que na primeira fila assistia visivelmente encantado.
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